Clube de Aeronáutica

História do Clube

Em 23 de outubro de 1941, oitenta e quatro oficiais de postos diversos, de coronel a aspirante, reuniram-se na sede do Aeroclube do Brasil para tratar da fundação do órgão. Embora chegassem a eleger uma Diretoria provisória, cuja presidência foi confiada ao Coronel Eduardo Gomes, e até mesmo um Conselho Diretor, presidido pelo Brigadeiro Armando Figueira Trompowsky de Almeida, essa iniciativa de fundação do Clube Aeronáutico (denominação inicial), não foi adiante, talvez pelas circunstâncias da época, quando o Ministério da Aeronáutica ainda se organizava e quando já se verificavam os problemas decorrentes da Segunda Guerra Mundial.

Em 5 de agosto de 1946, ano seguinte ao término do conflito bélico mundial, por iniciativa do então Ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Armando Figueira Trompowsky de Almeida, reuniram-se trezentos e quatorze oficiais, com o propósito de retomarem o projeto de fundação do Clube. Da mesa diretora dessa primeira reunião, realizada na Diretoria do Pessoal, além do Ministro, faziam parte os Brigadeiros Gervásio Duncan de Lima Rodrigues, Raul Ferreira de Viana Bandeira, Coronéis Ary de Albuquerque Lima, Ignácio de Loyola Daher e Ten.-Cel. Gabriel Grün Moss.

Na ocasião foi constituída a Comissão Organizadora do Clube, sob a presidência do Brigadeiro Ivo Borges, então Diretor do Pessoal da Aeronáutica. Foram ainda criadas comissões para elaboração dos estatutos, de estudos sobre finanças e de construção de sedes, uma urbana e outra campestre. Várias reuniões sucederam-se desde então, tendo sido escolhido o nome Clube de Aeronáutica na terceira, realizada em 19 de agosto, ainda nas dependências da Diretoria do Pessoal.

Sempre vencendo dificuldades, o grupo de iniciadores ocupou instalações alugadas no 8º andar da Avenida Churchill, nº 123, e depois na Rua Álvaro Alvim, nº 21, expandindo-se no 8º e 16º andares. A 15 de julho de 1947, em dependências cedidas pelo Clube Militar, teve lugar a 1ª Assembleia Geral Ordinária, para eleger a primeira Diretoria e os membros do Conselho Administrativo. Em Sessão Magna, realizada no dia 5 de agosto de 1947, no Clube Naval, contando com a presença do Presidente da República Eurico Gaspar Dutra, tomou posse na presidência do Clube de Aeronáutica, o Brigadeiro Fábio de Sá Earp. Desde então, considerou-se o 5 de agosto como o dia do aniversário da Associação. Dois anos após, já o Clube era considerado de utilidade pública pela Lei Municipal nº 344, de 19 de setembro de 1949. (Ata de 3/10/1949).

Em 23 de outubro de 1950, vem a ser inaugurada a primeira sede própria, embora de caráter provisório, situada na Praça XV de Novembro (RJ), constituída do antigo Pavilhão de Caça e Pesca (construído em 1922 para a famosa Exposição do Centenário da Independência do Brasil) e de área cedida, a título precário, pelo Ministério da Aeronáutica.

É interessante assinalar que, desde 1948, o Presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, já havia passado ao Clube, por contrato de enfiteuse, um espaçoso terreno na Rua Santa Luzia, esquina com a Avenida Calógeras, sob condição de lá ser construída a sede definitiva. Em face dos poucos recursos financeiros do Clube nos anos que se seguiram, tal empreendimento só pôde ser iniciado vinte e dois anos depois, o que quase causou a perda da concessão, pela não obediência ao prazo concedido para a construção. Graças à intervenção do Ten.-Brig. Grün Moss junto ao Presidente da República, Humberto de Alencar Castelo Branco, o prazo foi prorrogado, iniciando-se as obras, a cargo da Construtora Servenco, em 13 de janeiro de 1971. No Pavilhão de Caça e Pesca, além dos diversos serviços administrativos, funcionou inicialmente o hotel de trânsito, popularizado como Hotel do CAN, e o salão de festas, conhecido como Salão Azul.
Em 1959, com a cessão definitiva do terreno de 5.108 m (Decreto nº 27.240, de 16 de novembro de 1959), foi criado um projeto de Sede Náutica, depois chamada de Desportiva, a ser construída com expansão das áreas adjacentes ao Pavilhão de Caça e Pesca, incluindo a antiga Estação de Hidroaviões, ocupadas a título precário em 1955, por autorização do Brig. Eduardo Gomes. Ali foram construídas as piscinas (adulto e infantil), quadras de esporte, áreas ajardinadas, vestiários e um bar à beira-mar, que ficou conhecido como Kanequinho. Os salões da Estação de Hidros foram transformados em restaurante – que vieram, inclusive a servir como local de refeições para a oficialidade do Ministério da Aeronáutica – e em salão de festas (Salão de Mármore), já que o Salão Azul sofrera modificações para ampliação do Hotel de Trânsito.

Em 1965, o Clube recebeu por doação o Campo de Bagatelle, terreno de 11.500 m , situado em Figueira, às margens da Lagoa de Araruama e distante do mar cerca de 200 m. Ali iniciou-se a construção da Sede Praiana, com um prédio em forma de asa delta, ocupando uma área de 66 m .

A criação da Sede Campestre foi bastante problemática para a Administração do Clube. Depois de tentativas infrutíferas, em 1968, para conseguir a doação pelo Governador do então Estado da Guanabara, Francisco Negrão de Lima, de áreas às margens da Lagoa Rodrigues de Freitas, as atenções da Diretoria do Clube dirigiram-se aos terrenos cedidos pelo Ministério da Aeronáutica, na Ilha do Governador. Eram 190 mil metros quadrados situados na Fazenda do Galeão, que, desde 1952, foram postos à disposição do Clube. À semelhança do acontecido com o terreno da Rua Santa Luzia, a área do Galeão teve sua efetiva ocupação retardada. Por fim, a construção e o funcionamento de um hotel no local não foi avante, por questões judiciárias com a firma construtora. Em suas proximidades, a Prefeitura de Aeronáutica do Galeão passou a construir um conjunto de apartamentos e casas para a Vila de Oficiais, enquanto também se iniciaram as obras do Hospital de Força Aérea (HFAG). Com isso, houve grande redução da área disponível, o que tornou inadequada a construção da Sede Campestre naquele local, que acabou por ser devolvido ao Ministério da Aeronáutica (as inacabadas obras do hotel foram posteriormente aproveitadas para a construção da Casa Gerontológica da Aeronáutica).

Depois de pesquisadas várias outras áreas, a Diretoria do Clube escolheu e propôs ao Ministro da Aeronáutica a cessão de terrenos contíguos ao Aeroporto de Jacarepaguá, às margens da Lagoa, com área equivalente à da Fazenda do Galeão e mais uma ilha de cerca de 60 mil metros quadrados (Ilha Jardim). Providenciou-se, então, a elaboração dos projetos de construção da Sede Campestre, que ficaram a cargo do arquiteto Milton Ramos, o mesmo que já projetara a sede do Clube de Aeronáutica de Brasília e estava encarregado também dos projetos de modernização da Sede Velha na Praça Marechal Âncora. Basicamente, previa-se para a Sede Campestre a construção de quiosques para churrasco e piqueniques, restaurante, área de esporte, chalés para aluguel em fins de semana e férias, campo e hangar para operação de vôo com ultraleves, ancoradouros e garagens para barcos.
Quanto à Sede Praiana, previa-se seu incremento, com ampliação de suas instalações de forma a proporcionar mais conforto aos associados do Clube, que já a frequentavam fazendo do campo de Pouso de Bagatelle área para camping.

Neste mesmo ano de 1982 tiveram início as obras planejadas. Em 17 de julho, na sede da Praça Marechal Âncora, foi realizada uma gincana artística denominada Santos-Dumont, promovida pelos Departamentos Social e Técnico-Cultural, tendo como tema a preservação histórica da memória da Sede Desportiva, que entrava em fase de demolição. Do evento participaram 68 artistas, disputando medalhas de ouro, prata e bronze, além de menções honrosas, nas modalidades de pintura e desenho. O Clube adquiriu 16 telas e recebeu quatro doações, que, após permanecerem em exposição no salão da Estação de Hidros, foram incorporadas ao acervo do Clube. Em fins de 1983, terminadas as obras de modernização, a Administração do Clube ocupou as novas instalações na Praça Marechal Âncora.

Até hoje, sempre visando ao bem-estar do quadro social, atualmente integrado por oficiais das Forças Armadas e Auxiliares, elementos da Aviação Civil e pessoal civil de nível superior, o Clube de Aeronáutica, extrapolando sua atuação no campo do lazer, tem dirigido seus esforços para outras prestações condignas de serviço, buscando exercer suas atividades nos setores mais úteis para seus sócios e para o Ministério.

Em fins de 1958 criou a Revista Aeronáutica, publicando, basicamente, assuntos de Aviação, mas, também, abordando temas de naturezas diversas, que, mercê de uma redação simples, mas cuidada, e uma apresentação editorial primorosa, agradam a todos os seus leitores. Além disso, a Revista Aeronáutica Editora publicou vários livros de interesse da Aviação, contribuindo de forma eficaz para o incremento da mentalidade aeronáutica brasileira.

Em 1987, já seu novo prédio da Administração e salão de bailes construídos (ocupando a área do antigo Pavilhão de Caça e Pesca), o Clube de Aeronáutica cedeu a Estação de Hidros (tombada pelo Patrimônio Histórico) para o Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, órgão do Gabinete do Ministro, então recém-criado, e que iniciara suas atividades em 1986, em dependências também cedidas pelo Clube.

Texto baseado na edição nº 211 da Revista Aeronáutica, que comemorou os 50 anos do Clube de Aeronáutica.

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